A lenda se chama FNV/Cobrasma/Santa Matilde – Série 400

FNV/Cobrasma/Santa Matilde – Série 400

A Série 400, apelidada por Wanderley Cardoso na época, é uma frota de TUEs fabricada entre 1963 e 1964 por um consórcio nacional envolvendo a Fábrica Nacional de Vagões, a Cobrasma e a Santa Matilde. Ao consórcio nacional ficou a responsabilidade da fabricação da caixa dos TUEs, feita de aço-carbono, enquanto a estadunidense General Eletric ficaria responsável por fornecer os equipamentos elétricos e os motores, e ainda restariam os pantógrafos de origem húngara, fabricados pela Ganz Mavag.

Série 400 recém construído na Santa Matilde em Três Rios.

A Divisão Especial de Subúrbios do Grande Rio, destacamento da RFFSA para operação do sistema de trens de subúrbios do Rio de Janeiro nas décadas de 50, 60 e 70, encomendou 100 unidades ao consórcio. Elas possuiriam formação básica de três carros, ao mesmo molde das Séries 100 e 200, aos quais era baseada, ou seja: Carro Reboque 1 – Carro Motor – Carro Reboque 2 (RC1 – RM – RC2).  Essas unidades poderiam formar composições 6, 9 e 12 carros, mas no máximo que conseguiu formar até hoje nos subúrbios cariocas foram composições de 9 carros, já que as plataformas das estações não comportavam TUEs de 12 carros. Haviam outros aspectos em que se igualava à Série 200, como a taxa de aceleração média em 0,55 m/s², velocidade máxima alcançando os 90 km/h e o comprimento de cada carro mantido em 22m. As pequenas diferenças existentes estavam na potência dos motores estadunidenses que alcançavam 1346 HP, na capacidade máxima de passageiros por TUE sendo de 672 pessoas e por possuírem ventilação forçada.

Ao final da década de 70, quando se iniciava o primeiro grande processo de renovação de frota no Rio de Janeiro, algumas unidades foram emprestadas para a Divisão de Subúrbios da RFFSA em São Paulo. Adiante, mais precisamente em 1981, passaram por uma intervenção nos seus equipamentos mecânicos (troca dos motores GE por de origem japonesa da Toshiba) e na disposição da caixa, levando a alteração do salão de passageiros (a extinção de bancos de madeira foi uma delas) e até da cabine, que perdeu sua saída para o salão de passageiros e  ganhando portas laterais em ambos os lados. Nessa mesma época, os TUEs da Série 400 receberam uma repintura na cor laranja com detalhes em azul e foram apelidados de Sukita, famosa marca de refrigerantes.

Série 400 Fase II modernizado no final da década de 80.

Em 1988, algumas unidades passaram por nova intervenção sendo chamadas de Série 400 Fase II, onde receberam além de outras modificações, uma nova máscara, que passava a ter os faróis, antes na parte superior, para a parte inferior e ainda uma nova pintura em branco e azul, numa padronização visual para a CBTU. No ano de 1992, novas unidades passariam por modernização chegando à Série 400 Fase III, com novas modificações mecânicas e de infraestrutura, ganhando nova máscara, remodelamento do salão de passageiros, alteração dos pantógrafos e uma repintura conhecida como “Chanceller”, marca de cigarros da época. Ao longo dos anos, seja no período da Flumitrens ou da atual concessionária, a Supervia, as reformas e modernizações se consolidaram nos parâmetros da Fase III, exceto as unidades 471, 455, 476 e 492, que mantém o padrão Fase I e II entre elas.

Os TUEs da Série 400 são verdadeiros “Highlanders” da ferrovia, desde 1964 ajudam o sistema com galhardia, mesmo com os problemas de corrosão da caixa devido à natureza de seu material e todos os problemas que um trem que já estourou sua vida útil (40/45 anos) pode naturalmente apresentar, ainda assim deixam trens de aço-inox dos anos 80 ou dessa época no chinelo e pode ser considerada uma joia a ser preservada, seja num museu de fins ferroviários ou com nova modernização para que possam efetuar operação em outros locais do país (existem interesses de outros estados nesse trem). Por aqui ele tem aposentadoria decretada, 2014, deixará saudades e um legado ao restante da frota.

Outras fotos:

Série 400 Fase III e sua pintura Chanceller.

Série 400 “Sukita” em Paracambi. Foto: Hugo Caramuru.

Fase II sucateado em meados dos anos 90.

TUE 460 passando por Quintino.

Série 400 operando o Japeri em São Cristóvão.

TUE 471/455, Fase I e II na ordem, em Engenho

TUE 442/453 em Belford R

TUE 423/424 em Maracanã.

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10 pensamentos sobre “A lenda se chama FNV/Cobrasma/Santa Matilde – Série 400

  1. Excelente texto, Gustavo.

    Com certeza os 400 vão deixar saudades, mesmo aqueles que eu costumo criticar nos fóruns do face (as 4 unidades citadas no texto). Gosto muito dos 400 fase III, em especial do 496, do 460, do 457, do 428 e do 441 (este último até merecia um post próprio só pra ele, visto que é o único a ter sustentado a pintura “Chanceller” até os idos de 2010, quando recebeu o famigerado grafite.

  2. ALÉM DE TUDO FALADO OS 400 DO JAPERI SEMPRE VEM COM LUGARES SOBRANDO NA PRIMEIRA ESTAÇÃO APÓS ELE, E EU SENTO PRATICAMENTE TODOS OS DIAS EM QUE PEGO ELE A CENTRAL. MAS O TEMPO DE USO, FORÇA A SAÍDA DELE QUE DEIXARÁ MUITAS LEMBRANÇAS.

  3. É um dos melhores trens (ao lado do TUE 700) que prestam serviços aqui em São Paulo.
    Não sabemos até quando ele resisitirá por aqui.

  4. Não consigo conceber q vcs tenham saudade dessa porcaria que aí está, desgraçando o sistema ferroviário em frangalhos. É q vcs não pegam essa porcaria debaixo dum calor de 40° e cheio. Aí sim vcs veriam o q digo. Alguém tem q tirar essas porcarias de circulação nem q seja na porrada.

  5. a supervia,poderia fazer um museu sobre trilhos.como?restaurar um modelo de cada,inclusive o cacareco,de 1937(aquele todo boleado,na frente,atrás e no teto),que está apodrecendo na leopoldina,colocando em circulação nos finais de semana,das 7as 17horas,no sábado,e no domingo até as 13 horas,para evitar,vandalismos,que ocorre quando tem jogo no maracanã e engenhão.seria interessante para as futuras gerações saberem como era o transporte ferroviário,em que seus pais,avós e bisavós andavam

  6. A supervia junto com o governo do estado,poderia restaurar,um modelo de cada composição,inclusive aquele todo boleado de 1937(série 100?),que está se estragando no tempo.um desperdício sem tamanho para a história ferroviária fluminense.isso sem falar das locomotivas que estão na mesma situação.com esses trens recuperados,poderia criar um turismo ferroviário,aos sábados,domingos(até as 14hs,por causa de jogos no maraca e engenhão) e feriados,para que as futuras gerações saibam como era o transporte ferroviário antigamente.eu já andei em todos os modelos

  7. Tempos que não voltarão jamais! Que saudades dos series 400! Do apito sonoro e forte em cada partida das estações! dos confortáveis bancos de madeira de lei que jamais deveriam ser trocados.(alguém se beneficiou com isso). preferia tê-los hoje do jeito em que saíram da fábrica Santa Matilde. Ainda me lembro do sibilar intermitente e forte dos freios a ar, quando acionados pelo condutor em cada parada das estações. Ô meus bons tempos de criança até a adolescência. Nem precisava de ar condicionado, pois, as portas eram facilmente travadas e mantidas abertas com a colocação de pedra no trilho das portas. traquinagem da maioria dos jovens daquela saudosa época, (RFFSA) em que todos tinham o direito de ir e vir com segurança.

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